Como a alimentação afeta a cólica menstrual
- Feb 9
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Updated: Feb 20

A cólica menstrual é uma experiência muito comum, mas isso não significa que deva ser ignorada ou normalizada, principalmente quando há dor além do normal.
Para muitas mulheres, a dor interfere na rotina, no trabalho, no sono e consequentemente na nossa qualidade de vida.
Um assunto que quase não é discutido, porém muito importante é que, além dos fatores hormonais, a nossa alimentação pode influenciar tanto na intensidade quanto na frequência desse desconforto.
Os achados em literatura científica ajudam a olhar para cólica como algo que não podemos simplesmente normalizar.
O que acontece no corpo durante a cólica menstrual?
A dor menstrual está fortemente relacionada à produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas no processo inflamatório e nas caóticas contrações uterinas.
Em níveis elevados, elas aumentam a intensidade das contrações e reduzem o fluxo sanguíneo local, o que contribui para essa dor.
Esse processo é fisiológico, mas sua intensidade pode variar bastante entre as pessoas. E é aqui que entram fatores como inflamação sistêmica, padrão alimentar e disponibilidade de nutrientes.
O que a alimentação tem a ver com a inflamação do ciclo menstrual?

O artigo referenciado e publicado na Nutrients mostra, através de uma coleta de dados precisa, que padrões alimentares com maior consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares adicionados, gorduras saturadas e baixo teor de fibras estão associados a um perfil inflamatório mais elevado, o que pode intensificar sintomas como a cólica menstrual.
A alimentação influencia o contexto inflamatório no qual a dor acontece. Uma dieta pobre em nutrientes pode piorar a resposta inflamatória do ciclo.
Dietas com maior presença de: frutas e vegetais, grãos integrais, fontes adequadas de gorduras insaturadas e micronutrientes essenciais, tendem a estar associadas a menor inflamação e melhor modulação da dor.
Ômega-3 pode ser um aliado: peixes, linhaça ou suplementação

Ensaios clínicos demonstram que intervenções nutricionais capazes de modular a produção de prostaglandinas, como o uso de ômega-3 e zinco, reduzem significativamente a intensidade da dor menstrual.
Isso NÃO significa que um alimento isolado “cause” ou “cure” a cólica, mas que o padrão alimentar ao longo do tempo importa.
O(a) nutricionista é o profissional especializado que vai te ajudar a inserir alimentos ricos em ômega-3 com estratégias para maior biodisponibilidade, ou seja, de forma que o seu corpo consiga absorver e aproveitar o máximo possível desse nutriente.
Busque descobrir se você está com deficiência de zinco
Estudos recentes também indicam que a suplementação de zinco reduz significativamente a dor menstrual, com melhores resultados quando mantida por pelo menos 8 semanas.
Mas para realmente causar algum efeito no corpo, é preciso confirmar se há deficiência deste nutriente.
Os alimentos mais ricos em zinco são:
Ostras
Carne bovina
Sementes de abóbora.
O que todos esses alimentos têm em comum é a baixa previsibilidade na rotina, já que raramente conseguimos mantê-los no prato com a constância e a quantidade necessárias para corrigir uma deficiência nutricional.
Além do custo elevado, ostras são difíceis de encontrar frescas em muitas regiões e possuem um paladar forte que não agrada a todos.
Vegetarianos e veganos, por não consumirem carne vermelha, tendem a ter mais deficiência deste nutriente do que pessoas que aderem aos alimentos derivados de animais na rotina.
Embora práticas, as sementes de abóbora exigem o consumo de volumes muito grandes para atingir as metas terapêuticas de zinco, o que nem sempre é confortável para o sistema digestivo.
O momento da suplementação também interfere no quanto os nutrientes ajudam casos de cólicas intensas, por isso procure um nutricionista que consiga inserir a dose ideal no momento certo do seu ciclo menstrual.
A alimentação também interfere na intensidade da cólica
Embora fatores emocionais possam influenciar a percepção da dor, mas dores intensas, incapacitantes ou progressivas precisam ser investigadas com maior profundidade.
Reduzir esse fenômeno a “tensão”, “emocional” ou “falta de resistência” ignora mecanismos inflamatórios e metabólicos importantes.
A nutrição entra como uma ferramenta de cuidado, por um olhar mais amplo sobre o funcionamento do corpo.
É importante reforçar que a alimentação não substitui avaliação ginecológica nem outros tratamentos quando indicados.
Ainda assim, a literatura científica mostra que olhar para o padrão alimentar pode ser um passo relevante no manejo da dor menstrual, especialmente quando integrado a outros cuidados em saúde.
REFERÊNCIAS
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Dietary patterns and the severity of menstrual pain among young women. Nutrients, Basel, v. 16, n. 1, art. 69, 2024. DOI: 10.3390/nu16010069.
3. HAGHIGHI, S.; HAGHIGHI, A.; FAKHARI, S.; KHODADADI, A.
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The effect of zinc supplementation on primary dysmenorrhea: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrients, Basel, v. 16, n. 2, art. 215, 2024. DOI: 10.3390/nu16020215.



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