Formação em Terapia do Esquema na Clínica LZ: como foi a 2ª edição do curso "Praticando a Terapia do Esquema"

No dia 1.º de agosto, a Clínica LZ recebeu, no DOC Castelo Batel, a segunda edição do curso presencial "Praticando a Terapia do Esquema". A turma reuniu psicólogos e estudantes de psicologia interessados em ampliar a atuação clínica para além da Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional, em um dia inteiro de aula estruturado entre teoria e prática. A formação foi ministrada por Ligia Ziegler, psicóloga clínica há 12 anos e fundadora da Clínica LZ, e por Micheli Freddi, psicóloga clínica há 10 anos, ambas certificadas em Terapia do Esquema pelo Institute for Schema Therapy (ISST), em Nova York.
O que é a Terapia do Esquema e por que ela guiou a formação
A Terapia do Esquema foi criada por Jeffrey Young na década de 1990 para tratar pacientes com transtornos de personalidade e casos em que a TCC tradicional não produzia mudanças duradouras (Young, Klosko & Weishaar, 2003). A abordagem integra técnicas cognitivas e comportamentais a uma compreensão mais ampla das origens dos padrões emocionais e relacionais de cada pessoa, e por isso vem sendo aplicada também em quadros de ansiedade, depressão e dificuldades crônicas de relacionamento. Essa é também a lógica que orienta a atuação clínica baseada em evidências da Clínica LZ.
Esse foi o eixo que sustentou o dia inteiro de curso: entender como padrões que se repetem na vida adulta têm origem em necessidades emocionais que não foram atendidas na infância, e como o psicólogo pode reconhecer e trabalhar clinicamente esses padrões.
Da Teoria do Apego aos Esquemas Iniciais Desadaptativos
A manhã de formação partiu da Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e expandida por Mary Ainsworth, e discutiu como os quatro estilos de apego identificados na vida adulta (seguro, ansioso, evitativo e desorganizado) se conectam à forma como cada pessoa busca ou evita proximidade em suas relações.
A partir daí, o grupo avançou para os Esquemas Iniciais Desadaptativos, os padrões cognitivo-emocionais duradouros que se formam quando necessidades como vínculo seguro, autonomia ou limites realistas são frustradas de forma persistente, especialmente ao longo da infância, podendo também estar relacionadas a experiências traumáticas.
O curso organizou esse conteúdo em cinco domínios esquemáticos, cada um reunindo esquemas específicos como abandono, privação emocional, fracasso ou autossacrifício, e discutiu os três estilos de enfrentamento que podem ser adotados quando um esquema é ativado: evitação, supercompensação e resignação.
Modos esquemáticos e o fortalecimento do Adulto Saudável
À tarde, a formação abordou os modos esquemáticos dos estados emocionais e comportamentais que podem ser ativados diante de determinadas situações. O grupo discutiu as quatro categorias de modos descritas por Young (modos da criança, modos de enfrentamento desadaptativo, modos internalizados de pais disfuncionais e o Modo Adulto Saudável) e por que fortalecer o Modo Adulto Saudável é um dos principais objetivos da Terapia do Esquema. É a partir dele que se favorece a capacidade de reconhecer e regular emoções, avaliar e tomar decisões conscientemente, atender às próprias necessidades e estabelecer relacionamentos mais seguros.
Técnicas vivenciais demonstradas durante a formação
A formação teve também um bloco prático, dedicado a técnicas vivenciais usadas na Terapia do Esquema. Os participantes vivenciaram a técnica do Lugar Seguro, recurso de imagística utilizado para favorecer a regulação emocional em situações de ativação intensa, e discutiram o uso terapêutico da Carta aos Pais, escrita que não é enviada e pode auxiliar na elaboração e expressão de sentimentos e necessidades da infância que não puderam ser expressos ou atendidos na época.
O grupo também praticou o diálogo entre modos, técnica que usa cadeiras para representar diferentes partes do paciente e fortalecer a comunicação entre elas, e discutiu a lógica da reescrita de imagens, processo em que memórias associadas a sofrimento recebem novos elementos de proteção e cuidado. Em todas as técnicas, a formação reforçou um ponto comum: o terapeuta atua como guia durante todo o processo, e o objetivo é sempre promover elaboração emocional, nunca reexpor o paciente a um sofrimento que ele não está preparado para revisitar.
Cursos como este fazem parte de uma frente da Clínica LZ dedicada à formação de profissionais de saúde. Além do atendimento clínico em psicoterapia, psiquiatria, nutrição e outras especialidades médicas, a clínica organiza cursos, workshops e eventos presenciais voltados a estudantes e psicólogos que buscam aprofundar a prática clínica com base em evidências, e oferece também supervisão clínica para psicólogos em atuação.
A proposta é a mesma que orienta o atendimento a pacientes: unir rigor teórico a uma prática clínica real, sem atalhos e sem promessas de resultado fácil.
A segunda edição do curso "Praticando a Terapia do Esquema" percorreu um caminho que vai da teoria do apego aos esquemas iniciais desadaptativos, dos modos esquemáticos até as técnicas vivenciais usadas em consultório, sempre a partir da lógica central da abordagem: reconhecer padrões que se formaram cedo na vida para poder trabalhá-los com mais consciência, tanto no consultório quanto fora dele.
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Referência citada: Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema Therapy: A Practitioner's Guide. Guilford Press.





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